A dialética do senhor e o escravo

A dialética do Senhor e do Escravo é um momento do desenvolvimento da consciência presente na obra Fenomenologia do Espírito. Nesse momento, já havendo pelo passado pela dialética no que se refere a sensibilidade, a percepção e o entendimento, encontra-se já havendo consciência de si. Consciência esta que é desejo e só pode encontrar sua verdade por meio do reconhecimento de outra consciência.

Nesse sentido, o próximo movimento da consciência, este que é denominado dialética do Senhor e do Escravo, inicia-se quando duas consciências de si se encontram, ambas buscando reconhecimento, este que só é possível em um embate mortal. Caso, neste embate, uma das consciências de si venha a morrer, a outra que sobrou, estando sozinha, e não havendo outra consciência que a reconheça, precisa entrar novamente num embate com outra consciência de si, pois livre da figura de alteridade não há possibilidade de ser reconhecida.

Por outro lado, há a possibilidade de diante dessa disputa mortal, uma das consciências, tremendo perder a vida, ceder perante a outra. Esta que cedeu será a figura do Escravo, aquele que cedeu tremendo perder a vida, e toma o lugar de coisidade. A outra consciência será o Senhor, aquele que não temeu perder a vida, e por conta disso, agora é reconhecido por outra consciência de si.

Porém desde o início, essa relação já não deixa de estar em conflito, visto que o Senhor para ocupar essa posição, somente consegue pois há um Escravo para reconhecê-lo, não há autonomia, depende do escravo para ser Senhor. O Escravo, visto que ocupou essa posição pois era temente da morte, só é Escravo da vida e não de outro.

Ainda sim, isso não é suficiente para que o Escravo se liberte. Este visto que ocupa esta posição será aquele que trabalha, e se direciona a verdade por meio deste trabalho. O senhor por sua vez, é aquele que somente goza do trabalho do Escravo, não tem esse saber que o trabalho proporciona, por conseguinte, se torna dependente do Escravo. Essa é a condição para que o Escravo possa se libertar, entendendo que, na realidade, ele por meio de seu trabalho é Senhor do Senhor, e o Senhor, por sua vez, é Escravo do Escravo. O Senhor que era ser para Si torna-se ser para o Outro, o Escravo que era ser para o Outro torna-se ser para Si.

Há, desse modo, uma inversão, esta que é necessária para a conclusão da dialética do Senhor e do Escravo. Essa que seguirá seu desenvolvimento na consciência infeliz, que somente o Escravo poderá ter visto que somente ele teve o desenvolvimento da consciência.

O movimento da dialética do Senhor e do Escravo pode ser pensada a partir de três momentos: 1) O enfrentamento das consciências de si pelo desejo de reconhecimento 2) A formação do Senhor e do Escravo, pelo medo do segundo diante da morte 3) A conquista da liberdade do Escravo por meio do trabalho, e a inversão das posições.

Cabe destacar, que o movimento desenvolvido na dialética do Senhor e do Escravo, não se trata de um momento específico na história, não é como um mito de fundação da sociedade tal como outros filósofos se propuseram a elaborar mas um momento do desenvolvimento da consciência.

Referências bibliográficas:

HEGEL, G. W. F. ; MENESES, P. Fenomenologia do espírito. Petrópolis: Vozes, 2008.

HYPPOLITE, J.; VACZI, A. J.; FILHO, S. R.. Gênese e estrutura da fenomenologia do espírito de Hegel. São Paulo: Discurso Editorial, 1999.

INWOOD, M. Dicionário Hegel. [s.l.] Editora Schwarcz - Companhia das Letras, 1997.