Definição: "Dialética" é um termo que é utilizado para descrever um tipo de argumentação filosófica que envolve algum tipo de processo contraditório entre lados opostos. O filósofo que fora mais conhecido por utilizar desse método de argumentação era Platão, dentro de um diálogo em que Sócrates e diversos interlocutores participavam, o debate ia de um lado para o outro, produzindo uma progressão nas oposições e as ideias iam se refinando.
Em Hegel os lados que se opunham não eram personagens, mas sim conceitos ou definições dentro de sua própria filosofia e esse era o método que ele utilizava constantemente e como marca registrada de seu discurso, considerando como modo especulativo de cognição.
Embora Hegel tenha remetido a tradição filosófica de dialética, ele criticava a maneira platônica. A redução ao absurdo, diz que se as premissas de um argumento levam a contradição, esse argumento possui, portanto, premissas falsas e a partir desse ponto deve ser gerado novos argumentos e verificar novamente a veracidade de suas premissas. Hegel por outro lado acreditava que a razão necessariamente produzia contradição, e que a dialética de Platão não conseguia ir além da arbitrariedade e do ceticismo, gerando apenas verdades aproximadas e ficando assim aquém de ser uma ciência genuína.
Exemplo: No texto Enciclopédia das Ciências Filosóficas, o autor apresenta o conceito de lógica e apresenta três momentos. Eles são momentos de todo conceito. O primeiro momento é o do entendimento no qual as formas possuem uma definição ou determinação estável.
O segundo momento é o dialético, em que há a instabilidade. Uma restrição da compreensão aparece e a determinação que estava fixada no primeiro momento passa para seu oposto. Hegel descreve isso como processo de auto-superação, em alemão aufheben, que significa tanto negar quanto preservar ao mesmo tempo. O momento da compreensão é superado porque sua própria natureza desestabiliza sua definição e se transforma em seu oposto.
O terceiro momento é o especulativo, em que se apreende a unidade da oposição entre as duas primeiras determinações, ou é o resultado positivo da transição dessas determinações. Nesse ponto Hegel rejeita o argumento da redução ao absurdo, pois para o autor as premissas resultarem em uma contradição não é algo a se descartar, pois é apenas o ceticismo que só enxerga o nada puro em seu resultado e abstrai o fato de que esse nada é especificamente o nada daquilo de que resulta.
O nada especulativo nega a contradição, porém é um nada determinado e definido, uma vez que é o resultado de um processo específico. Há algo que é particular na determinação que foi ignorado na sua restrição, que leva a cair no momento dialético. Desse modo o momento especulativo possui uma definição, pois unifica o caráter particular das determinações anteriores, ele não é um nada abstrato, mas a negação de certas determinações.
REFERÊNCIAS
STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Hegel's Dialectics. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2020. Disponível em: https://plato.stanford.edU/entries/hegel-dialectics/. Acesso em: 24 nov. 2025.