RACISMO POR DENEGAÇÃO: s.m. É o racismo que nega a sua própria existência, ou seja, é o racismo que se volta contra as pessoas negras e que ao mesmo tempo diz não fazê-lo, especialmente através do mito da democracia racial e das “teorias” da miscigenação e/ou da assimilação (GONZALEZ, 2020, p.127). Também classificado pela autora como o racismo disfarçado. O racismo por denegação é a principal característica da neurose cultural brasileira, ou ainda, é o seu principal sintoma. Este conceito foi desenvolvido por Lélia Gonzalez fundamentado no campo psicanalítico-lacaniano e na análise sociológica da formação das sociedades latino-americanas, em especial a brasileira. O termo diz respeito ao modo de funcionamento do racismo na América Latina e tem sua fundação a partir das ideologias de estratificação social, em especial racial e sexual, e das ideologias de branqueamento e de superioridade branca.
1. Origem e conceituação
O conceito de racismo por denegação formulado por Gonzalez descreve uma forma velada e estrutural de racismo, que opera por meio da negação das contribuições e identidades de pessoas negras sustentando a hegemonia branca sob o disfarce do mito da democracia racial. Gonzalez desenvolve essa ideia a partir de uma análise crítica das relações raciais no Brasil, combinando influências psicanalíticas para revelar como o racismo se manifesta de maneira implícita, o que molda tanto estruturas sociais, quanto psíquicas.
O racismo encontra raízes no contexto histórico da colonização ibérica, particularmente na reconquista da Península Ibérica, que estabeleceu uma hierarquia social capaz de naturalizar a subordinação de grupos subordinados sem a necessidade de segregação explícita. Já no Brasil, essa lógica se consolidou com a ideologia do branqueamento, promovida no pós-abolição, que buscava apagar as heranças afrodescendentes e indígenas, valorizando a branquitude como ideal cultural e social. Gonzalez refuta o mito da democracia racial que mascara desigualdades estruturais ao sugerir uma harmonia entre as raças, e argumenta, em diálogo com autores como Carlos Hasenbalg, que o racismo é constitutivo da estrutura de classes no capitalismo multirracial, determinando a divisão racial do trabalho. Dessa forma, antecipando o conceito de interseccionalidade, Gonzalez explora como raça, gênero e classe se entrecruzam na produção de opressões, destacando que o racismo por denegação se expressa em microagressões, insinuações e práticas que evitam nomear explicitamente o racismo, mas perpetuam exclusões.
No campo psicanalítico, Gonzalez se inspira fortemente em Frantz Fanon, particularmente em Pele Negra, Máscaras Brancas (1952), que ela considera um estudo clínico do racismo. Fanon descreve como o racismo internalizado gera um desejo inconsciente de se aproximar da branquitude, e Gonzalez aplica essa perspectiva ao Brasil, interpretando o racismo por denegação como uma neurose que reprime as origens afrodescendentes da cultura brasileira, promovendo a ilusão de uma sociedade hegemonicamente branca. Em diálogo com a psicanálise lacaniana, ela explora como o inconsciente brasileiro é moldado por uma ideologia colonial que nega as identidades não europeias, funcionando como um mecanismo de defesa para manter a realidade de desigualdades raciais. Dessa maneira, o racismo por denegação impacta profundamente a subjetividade negra, o que gera fragmentação psíquica relacionada à vergonha e à inadequação, como também apontado por autores como Naim Akbar e Neusa Santos Sousa. Para Gonzalez, a psicanálise oferece ferramentas para descolonizar o inconsciente, permitindo o reconhecimento da singularidade das identidades negras sem a imposição de modelos brancos. Sendo assim, Gonzalez propõe a amefricanidade como uma forma de resistência cultural e política, enfatizando a necessidade de uma luta interseccional e de uma descolonização psíquica para enfrentar essa neurose cultural.
2. Comparação com outros racismos
Para explicar a origem e prevalência do racismo por denegação nos países latino-americanos, Gonzalez remonta às origens de Portugal e Espanha enquanto Estado-nação, em especial para o período da Reconquista. Nesse sentido, há que se destacar o fato de que os mouros enfrentados pelos então reinos de Portugal e Espanha eram, em sua maioria, negros provenientes da África Ocidental. Além disso, as relações sociais nas sociedades ibéricas possuem um caráter altamente estratificado, com regras específicas de controle social e político direcionadas à grupos minoritários desde a sua gênese, senão vejamos:
As sociedades que vieram a constituir a chamada América Latina foram as herdeiras históricas das ideologias de classificação social (racial e sexual) e das técnicas jurídico-administrativas das metrópoles ibéricas. Racialmente estratificadas, dispensaram formas abertas de segregação, uma vez que as hierarquias garantem a superioridade dos brancos enquanto grupo dominante (GONZALEZ, 2020, p. 131)
Por essa razão, diante de um sistema que garante a superioridade branca em todos os ambientes da sociedade, Lélia Gonzalez assinala que é justamente no campo cultural que negros e indígenas encontram as melhores formas de resistência. O exemplo mais claro nesse sentido está na figura da mãe preta: a partir do cuidado dos filhos dos brancos - função relegada pelas mães brancas, que só se prestam à dar a luz - é a mãe preta quem transmitirá às crianças a linguagem e os valores, inserindo-as no mundo da cultura brasileira.
A branca, a chamada legítima esposa, é justamente a outra, que, por impossível que pareça, só serve para parir os filhos do senhor. Não exerce função materna. Essa é efetuada pela negra. Por isso, a “mãe preta” é a mãe.
E quanto a gente fala em função materna, a gente tá dizendo que a mãe preta, ao exercê-la, passou todos os valores que lhe diziam respeito pra criança brasileira [...]. A função materna diz respeito à internalização de valores, ao ensino da língua materna e a uma série de outras coisas mais que vão fazer parte do imaginário da gente. Ela passa pra gente esse mundo de coisas que a gente vai chamar de linguagem. E graças a ela, ao que ela passa, a gente entra na ordem da cultura [...]. (GONZALEZ, 2020, p. 88)
Em contrapartida, no caso dos países de colonização anglo-saxã como os Estados Unidos e por influência do protestantismo, o racismo se deu de forma escancarada, com a segregação quase completa entre negros e brancos, que rejeitavam a miscigenação como forma de preservar a pureza da raça – tornando a miscigenação algo “impensável” (p. 130). Ademais, Lélia avalia que, diferentemente do que ocorreu no Brasil, a repressão à cultura dos negros escravizados foi muito mais direta nesses países.
Porém, segundo a autora, a discriminação explícita estimula o enfrentamento do racismo, porquanto “[...] é justamente a consciência objetiva desse racismo sem disfarces e o conhecimento direto de suas práticas cruéis que despertam esse empenho, no sentido de resgate e afirmação da humanidade e competência de todo um grupo étnico considerado ‘inferior’.” (p. 132). Dessa forma, na visão da autora, a criação e as conquistas alcançadas pelo movimento negro estadunidense, cuja criação e organização antecedeu a do movimento negro brasileiro foram viabilizadas pelo “espírito de profunda determinação, dados os obstáculos impostos pelo racismo dominante” (p. 132) que, ao não deixar dúvidas sobre a negritude de um cidadão e a sua inferioridade, acabam por alimentar com mais facilidade o desejo de mudança.
3. Inserção no pensamento de Lélia Gonzalez
Para compreender como o racismo por denegação está inserido no pensamento de Lélia Gonzalez é preciso, de certa forma, fazer o exercício de mapear os modos de aparecimento dessa temática no trabalho da pensadora, bem como em que momentos e a quais temas o conceito está vinculado. Assim, este texto busca organizar um esboço bastante inicial desse mapeamento a partir da ideia de que o racismo por denegação é uma chave teórica que possibilita articular o todo do pensamento da autora. Isto é, o racismo por denegação pode ser lido como o modo pelo qual o seu surgimento no texto, por um lado, faz sempre aparecer uma insuficiência, uma falta e por outro lado, tenha por função possibilitar certas identificações que permitam a elaboração de um sujeito consciente de si, capaz de falar por si próprio.
Comecemos pela relação entre racismo por denegação e a insuficiência. Para tanto, vamos analisar três questões distintas no pensamento da autora que mostram essa relação: a crítica do ponto de vista teórico aos ditos intérpretes brasileiros das ciências sociais (GONZALEZ, 2020, p. 11), a crítica do ponto de vista prático-político feitas pela intelectual (GONZALEZ, 2020, p. 43), a crítica a linguagem como discurso da consciência, agora “o lixo vai falar, e numa boa” (GONZALEZ, 2020, p. 78).
Sobre os intelectuais e intérpretes do Brasil ou, de algum modo, o campo teórico que busca organizar o pensamento brasileiro, a autora mostra um profundo vínculo com o racismo por denegação. Isso porque em alguma medida o discurso produzido por estes intelectuais serve de justificação do que a autora chama de ideologia da democracia racial (GONZALEZ, 2020, p. 65) e do branqueamento das raças (GONZALEZ, 2020, p. 65). Isto é, há uma insuficiência no trabalho desses autores que ao pensar a questão da racialidade acabam por produzir uma interpretação falsa da realidade, que tem como objetivo o ocultamento, o esquecimento da cultura negra ao mesmo tempo que afirma a influência branca e europeia como algo superior.
Assim, nosso primeiro exemplo fica por conta das posições criticadas por Lélia de Caio Prado Jr. Em certo ponto do texto Racismo e sexismo na cultura brasileira (GONZALEZ, 2020, p. 83) a intelectual está fazendo a recuperação de certos momentos da interpretação da história do Brasil e analisando a figura da mulher negra qualificada como mucama na tentativa de compreender “como é que a gente chegou a este estado de coisas, com abolição e tudo em cima?”. (idem ibidem). Nesse sentido a autora analisa algumas passagens do livro Formação do Brasil Contemporâneo (1942) e lá ela identifica que o autor ao falar das relações sexuais das mulheres escravizadas com os senhores da casa grande caracterizava esta mulher negra como instrumento de satisfação de necessidade sexual, cujo contato sexual era puramente animal (GONZALEZ, 2020, p. 84). Lélia mostra que essa caracterização tem uma riqueza de sentidos, sendo um exemplo privilegiado do que ela chama de neurose da cultura brasileira (idem ibidem). Aqui é onde encontramos a ligação com o racismo por denegação, pois este se constitui como sintoma dessa cultura neurótica brasileira. É por isso que, em seguida, Lélia aponta o ocultamento do sintoma em favor de um benefício produzido pelo neurótico. Isto é, a perspectiva de Caio Prado Jr. “pouco teria a dizer sobre essa mulher negra” (GONZALEZ, 2020, p. 84) especificamente porque o discurso produzido por ele nega o estatuto de sujeito humano e trata sempre a mulher negra como objeto. De modo que nesse sentido a insuficiência do discurso de Caio pode aparecer claramente relacionado ao racismo por denegação.
Lélia caracteriza o racismo por denegação pela sua sofisticada capacidade de disfarçar, ocultar, assimilar outras raças e culturas, que por fim leva à negação do próprio racismo (GONZALEZ, 2020, p. 130) e é neste enquadramento que outro conhecido intérprete brasileiro é analisado pela intelectual: Gilberto Freyre. São inúmeras as passagens críticas ao autor – o maior ideólogo das relações raciais do Brasil – mas aqui vamos nos centrar em duas ideias: a sensualidade especial da mulher negra e o famoso mito da democracia racial. No texto A mulher negra na sociedade brasileira: uma abordagem político-econômica ao analisar a exploração da mulher negra como objeto sexual nota que jovens negras contratadas como domésticas tinham como principal função iniciar sexualmente os jovens meninos da casa. Já no texto O apoio brasileiro à causa da Namíbia: Dificuldades e possibilidades a autora mostra que existe uma definição dúbia e distorcida da identidade negra no Brasil. Nesse sentido a causa desse problema é a ideologia da democracia racial, onde pessoas negras “ são cidadãos como quaisquer outros e, por causa disso, não são submetidos ao preconceito ou à discriminação” (GONZALEZ, 2020, p. 66). E como podemos ver, ambos os exemplos reforçam a ideia da negação do racismo de modo disfarçado, seja pela desumanização e exploração do corpo objetificado das mulheres negras ou como uma igualdade meramente formal, que oculta as diferenças na nossa sociedade. Nesse sentido, a interpretação do autor é insuficiente e falsifica a realidade.
No campo prático-político a autora também se encontra diante de insuficiências que a levam a tomar sua própria experiência com o racismo por denegação como modo de identificar essas falhas. É assim que vemos em diversos momentos Lélia narrar sua participação em congressos, reuniões e intervenções em movimentos de esquerda, movimentos feministas e no próprio movimento negro. De modo que ao narrar sua participação em movimentos de esquerda, quando chamava a atenção para que se pensasse as questões de classe em termos de raça, era frequentemente acusada de importar a pauta dos Estados Unidos (GONZALEZ, 2020, p. 78). Quando participava de reuniões em movimentos feministas, ainda que houvesse acordos e avanços do ponto de vista teórico, ela também era frequentemente acusada de “racismo às avessas” quando apontava acertadamente que questões relacionadas às mulheres negras eram negligenciadas por feministas brancas (GONZALEZ, 2020, p. 149). Nesse sentido, Lélia expressa claramente o que procuramos dizer por insuficiência: “enquanto mulheres negras, sentimos a necessidade de aprofundar nossa reflexão, em vez de continuarmos na reprodução e repetição dos modelos que nos eram oferecidos” (GONZALEZ, 2020, p. 77). Isto é, ao se encontrar diante de atitudes que partem da negação do racismo e para um certo favorecimento do branco – racismo por denegação – a autora aponta o limite dos modelos de ação política, indicando sua insuficiência.
Para finalizar as insuficiências que Lélia encontra em seu caminho, passamos a falar da crítica a linguagem como discurso da consciência. Nesse sentido, a relação que a linguagem apresenta com o racismo de denegação parte de uma constatação: os modelos discursivos da consciência (fornecidos pela sociologia, pela história, pela antropologia, pela filosofia etc.) não eram capazes de explicar com satisfação a figura da mucama, da mulata, da doméstica e da mãe preta. Isto é, ali havia uma linguagem que para Lélia deixava escapar algo, uma certa contradição que só seria superada pela introdução da psicanálise – o discurso do inconsciente, da autoelaboração, da memória. Assim, a psicanálise possibilita a emergência de um campo semântico que permite a autora identificar, por exemplo, que a linguagem como discurso da consciência visa a infantilização das pessoas negras (infans) de modo que elas não possam falar por si mesmas, sendo faladas apenas por brancos (p. 78). Não à toa que a intelectual explicitamente declara: “Quanto a nós, negros, como podemos atingir uma consciência efetiva de nós mesmos enquanto descendentes de africanos se permanecemos prisioneiros, ‘cativos de uma linguagem racista’?” (GONZALEZ, 2020, p. 134). Portanto, ao identificar o racismo por denegação na linguagem, mais uma vez a autora encontra um campo de insuficiência, mostrando de que modo o racismo está sofisticadamente entranhado por diversas dimensões sociais.
Agora passemos a falar dos vínculos do racismo por denegação enquanto princípio possibilitador de certas identificações que permitem a elaboração de um sujeito consciente de si, capaz de falar por si próprio. Nesse sentido, há um giro na escala do projeto filosófico de Lélia. Se antes falávamos especificamente do racismo de denegação sob os aspectos das relações em solo brasileiro agora veremos a intelectual abrir o conceito para toda a América Latina, ou melhor dizendo, Améfrica Ladina (GONZALEZ, 2020, p. 127).
Em um primeiro momento precisamos compreender que a autora identifica que o racismo de denegação oculta, sobretudo, toda contribuição de origem africana para a cultura. A exemplo disso, Lélia narra a situação em que um arcebispo da Bahia falava contra a africanização da cultura brasileira, presumindo-se ali uma certa pureza (GONZALEZ, 2020, p. 88). Lélia nos mostra muitas vezes como isso é categoricamente errado e a cultura brasileira é do começo ao fim constituída por elementos de tradições africanas. Um exemplo disso é a palavra bunda – símbolo tão caro aos brasileiros – que tem sua origem na língua quimbundo e não evidentemente na língua portuguesa. A intelectual chega a afirmar que falamos “pretuguês1” (GONZALEZ, 2020, p. 90) em vez de português. Ocorre que mais essa tentativa de ocultamento em favor da ideia de superioridade da cultura europeia mostra para Lélia que deixou marcas na cultura brasileira e que esse tipo de marca se repete por toda América Latina.
Essa ideia fundamentalmente leva Lélia a identificar a especificidade do racismo que ocorre na América Latina ao tipo de processo colonizador herdado dos países ibéricos, isto é, as marcas em comum por toda América Latina foram identificadas pelo projeto colonizador que ali esteve. A presença negra na região modificou as línguas e isso leva Lélia a concluir que a formação histórica e cultural do Brasil e da América Latina não é exclusivamente europeia. Nesse sentido, para Lélia, a América é também africana (p. 127), por isso ela renomeia a região, e passa a chamar de Améfrica, e vai mais longe, pois aponta uma latinidade inexistente, chamando-a assim de Améfrica Ladina (GONZALEZ, 2020, p. 127).
Por fim, esta identidade proposta por Lélia surge em oposição também ao modo que os pensadores dos Estados Unidos pensaram a questão racial (p. 137). Isto porque ao especificar um tipo de racismo que ocorre fora do solo americano e vincular isso a uma identidade regional específica a autora garante um grau de autonomia para emergência de um sujeito que possa falar de si através de suas próprias experiências, sem depender exclusivamente do conhecimento produzido pelos pensadores negros americanos. E nesse sentido, por fim, podemos compreender como o racismo de denegação permite o aparecimento de um certo modo de identidade que leva a intelectual a elaboração de estratégias que façam surgir um sujeito consciente de si e que pode falar por si mesmo.
4. Referência bibliográfica
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
5. Editores2: Daniela da Silva Santana (nºusp:12683033); Gabriela Moura Novaes (nºusp: 10704608); Giovanna Bertolini (nºusp:1545455451); Gustavo Fernando dos Santos (nºusp: 12685101); João Vitor dos Santos Gonçalves de Paula (nºusp:12733511); Juan Ignácio Gomez Martinez (nºusp: 15464830); Júlia Fernandes de Magalhães (nºusp:15585046); Paulo Roberto Camargo do Amaral (nºusp: 10840570); Victor Hugo Felix dos Reis Lopes (nºusp: 12540687).
[1] Ver verbete “Pretuguês”.
[2] Os nomes dos editores estão organizados apenas por ordem alfabética, de modo que sua disposição não expressa maior ou menor grau de participação na elaboração do projeto bem como não registra a ordem de edições do documento