LIVRO III, Confissões. Agostinho de Hipona

(1–6). A Vida em Cartago e a Busca pela Paixão

1. A Juventude: Agostinho chega a Cartago, onde fervilha no desejo de se saciar de prazeres e se entregar a amores “vários e sombrios”, buscando agradar a si mesmo e aos olhos dos homens. Abandona a Deus e infringe Seus preceitos, mas não escapa dos flagelos divinos, que transformam a dor em advertência.

2-4. O desejo e o sofrimento: É arrebatado pelos espetáculos teatrais, que são "imagens das minhas misérias e de combustível para minhas chamas". Questiona a "extraordinária loucura" do homem que quer se afligir por fatos lutuosos e trágicos como espectador, encontrando prazer nessa dor.

5-6. A curiosidade e a vaidade: Em meio às iniquidades, abandona a Deus por curiosidade sacrílega. Recebe flagelos por suas más ações, mas estes são "nada comparadas à minha culpa". Vagava de cabeça altiva afastando-se de Deus, “amando meus caminhos e não os teus, amando uma liberdade de fugitivo”. Sobressaindo em seus estudos de retórica, vangloria-se.

(7–13). O Despertar Filosófico e o Maniqueísmo

7–8. A Exortação à Filosofia: A leitura do livro Hortensius de Cícero muda seus sentimentos. Começa a ansiar pela imortalidade da sabedoria com "incrível ardor do coração". O único ponto de repulsa na exortação filosófica era a ausência do nome de Cristo, que conhecera através de sua mãe.

9. A Rejeição das Escrituras: Volta-se para as Sagradas Escrituras, mas as considera indignas se comparadas à dignidade estética de Cícero. Seu orgulho ("inchaço") o repelia da moderação dos textos bíblicos, impedindo-o de penetrar sua interioridade.

10–12. A Queda Maniqueísta: Cai nas mãos de homens "delirantes de soberba, demasiado carnais e loquazes" (os maniqueus). Tinha fome da Verdade (Deus), mas os maniqueus ofereciam "fantasmas reluzentes" de corpos fictícios. A cosmogonia e mitologia maniqueístas são mencionadas, e ele se alimentava dessas vacuidades.

13. Justiça e Religião: O Maniqueísmo o seduz porque repudiava o Antigo Testamento, cujos textos eram incompreendidos por Agostinho, sobretudo no que tange aos pecados dos patriarcas, por julgá-los segundo o "tempo humano" e não segundo a “lei justíssima de Deus.

(14–21). A Análise da justiça de divina e a Intercessão de Mônica

14–18. Análise do pecado e dos atos ilícitos: Sob a ótica da justiça divina, analisa o mal e atos ilícitos, compreendendo que existem mandamentos imutáveis e convenções mutáveis.

19–20. Mônica e a visão profética: Recorda a tristeza de sua mãe Mônica que, embora estivesse livre da corrupção do mundo, ainda se detinha em seus arredores, temendo que ele se afastasse de Deus. Relata a visão que sua mãe teve em sonho, na qual lhe foi revelado: "onde tu estás, ele também”.

13. O Conselho do Sacerdote: O bispo (sacerdote) recusa o pedido de sua mãe para discutir com Agostinho, dizendo que ele ainda estava enfatuado com heresia. O bispo encoraja Mônica a continuar a orar, dizendo: "Vá embora; viva assim, não pode ser que morra o filho dessas lágrimas".