Viver e morrer no racionalismo: metamorfoses do corpo em Espinosa e Leibniz
Como encarar questões fundamentais da experiência humana como a vida e a morte? Que respostas a filosofia seiscentista pode fornecer sobre esses fenômenos? O projeto de extensão Viver e morrer no racionalismo: metamorfoses do corpo em Espinosa e Leibniz teve como objetivo principal partilhar esses questionamentos com a comunidade externa e sugerir que tensionar tais conceitos à luz de importantes autores do século XVII pode deslocar o que é tradicionalmente entendido sobre o que é viver e morrer, isto é, encontramos no aparato racionalista um aprofundamento da questão, onde a vida e a morte são interpretações das alterações sofridas pelo corpo.
Para efetivar tal laço entre a comunidade universitária e a comunidade externa à Universidade de São Paulo, foram trabalhados excertos da Ética de Baruch Espinosa, bibliografia básica do curso de História da Filosofia Moderna V ministrado pelo Prof. Dr. Luís César Guimarães Oliva, e trechos selecionados do Sistema novo da natureza e da comunicação das substâncias de Wilhelm Gottfried Leibniz; além de obras de comentadores reconhecidos nos estudos seiscentistas, como Marilena Chaui, Pierre Macherey e Luís César Guimarães Oliva.
Nesse sentido, organizou-se uma única sessão de estudos, que foi amplamente divulgada através das redes sociais, de cartazes em espaços públicos, de convites presenciais realizados em escolas da rede estadual de São Paulo, tendo em vista sempre a descentralização do conhecimento desenvolvido pelas pesquisas em filosofia na Universidade de São Paulo. Dessa maneira, alcançaram-se professores, pesquisadores e ouvintes curiosos de vários Estados do Brasil, como: Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Minas Gerais, entre outros; bem como zonas diversas da região metropolitana de São Paulo.
Realizada no dia 30 de Maio, o ocasional grupo de estudos foi proveitoso para todos os envolvidos seja para aqueles que a organizaram e seja para aqueles que participaram dela. Para nós, que organizamos, a reflexão realizada antes e durante o evento foi essencial para aprofundar diversos temas relativos à metafísica e à corporeidade, os quais foram apresentados ao público. Por outro lado, para aqueles que participaram da sessão, o proveito consistiu em um maior acesso e debate sobre temas tão caros, como são os temas da vida e da morte. Isto porque, nesta sessão, contamos não só com a leitura de Espinosa e Leibniz, seguida de algumas rodadas de dúvidas, mas também com a discussão desses autores tendo em vista nossa vida cotidiana. Dessa maneira, todos puderam intercambiar conhecimentos e integrar-se com comunidades de conhecimento previamente desconhecidas. Em suma, a sessão foi um meio de expandir e expor outros pontos de vista a respeito da morte e da vida para o público geral, não especializado e externo à Universidade de São Paulo.
CHAUI, M. A Nervura do real. Imanência e liberdade em Espinosa, Vol. Imanência, São Paulo, Cia. das Letras, 1999. Vol II: A liberdade, São Paulo, Cia. das Letras, 2016.
ESPINOSA, B. Ética, São Paulo, Edusp, 2015
LEIBNIZ, W. G. Sistema novo da natureza e da comunicação entre as substâncias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002
MACHEREY, P. Introduction à l'Étique de Spinoza: la quatrième partie: la condition humaine. Paris, PUF, 1997
OLIVA, Luís César Guimarães. A existência e a morte. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012