LibertAÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo sintetizar a articulação entre alguns temas ministrados em sala de aula e a música como forma de crítica e transformação social. Para isso, toma-se como objeto o Rap – do inglês Rhythm And Poetry (Ritmo e Poesia) –, expressão verbal da cultura Hip-Hop e uma das manifestações culturais das pessoas que estão à margem da sociedade. Busca-se analisar, aqui, como a educação formativa e o rap atuam como ferramentas de libertação e resistência para a população Preta (o uso da inicial maiúscula visa ressignificar o substantivo, adjetivando-o como uma ferramenta política de força e transformação). Produção vinculada à disciplina Teoria das Ciências Humanas II, Complexo de Édipo e raça no Brasil, oferecida pela profa. Virginia Costa no segundo semestre de 2025.
Música: LibertAÇÃO;
Composição: Allan Brian Botelho;
Músicos: Thamis (Thamires G. Pereira Machado) e Ayo Brian (Allan Brian Botelho);
Produção musical: Studio Duck Jam.
Letra:
Introdução
Um salve para todas as mulheres que tentam fazer esse mundo melhor
Minha mãe, Marisa Batista, uma mulher genial
Tessa Moura Lacerda, uma mulher triunfal Essa é pra vocês...
Parte 1
Uma forma de calar nunca vista antes
Torturaram os pretos com a Máscara de Flandres
E o projeto que se cria, se mostra eficaz Adestraram o povo preto, objeto contumaz Aprisionaram o corpo e a mente lá atrás A apagamento não é um tanto faz
O medo de ouvir a verdade, a razão Freud explicou a noção da repressão
Refrão:
A minha voz mandaram calar Mas eu vou me rebelar Educação pra se libertar
Essa é a minha força
Parte 2
Spivak e Kilomba, decolonizar
Falando em silêncio, quem pode falar? Djamila e Lélia, Brasil e África
A pessoa preta tem o seu lugar de fala Na literatura, Firmina dos Reis
A mulher preta tem um recado pra vocês:
“Não pense que vale, bem pouco esse romance, humilde e genial, quem dará o lance?”
Deseducação pro preto é legal?!
Esqueceram que a cultura é algo magistral No antropológico é a força estrutural
Nem sempre a ciência é quem direciona e tal
Refrão
Parte 3
Já que trata de história, registro momento
Impossível não lembrar de Beatriz Nascimento
Ativista, pensadora, produz conhecimento Critica a história, o social e o epistêmico Denise Ferreira com autenticidade Desnuda o sistema da modernidade Branco, europeu e autoconsciente
Expõe o sujeito: “o Eu-transparente”
O boxeador suas mãos vai usar Afrofuturismo pincela o Basquiat
Educação formativa no campo de batalha
É o arsenal pro preto que não tarda e não falha
Refrão
Parte 4
O plano é perfeito pra quem tá de fora Pra quem não travou na porta giratória
O preconceito é velado mas se vê logo na cara
Impedem o acesso com uma mentira “lavada”
Uma professora sabotada por um truste Érica Bispo, não ingressou na USP
O discurso é horrível, discricionariedade Ouça o que falaram:”falta de capacidade”
Me recuso a acreditar que o racismo não existe
Discriminação na pele, mas não é psoríase Vou me educar e me libertar,
Mas primeiro eu tenho que me conscientizar
Refrão